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ARTE DA CAPA :: MAIO

Confira aqui a programação de maio. Quem assina a capa este mês é o artista plástico Edu Silva!

ESPECIAL :: CCJ DRAG CONTEST

Estão abertas as inscrições para a 6ª edição do concurso mais purpurinado de SP!

CCJ e CFC CIDADE TIRADENTES APRESENTAM: ODARA

O grupo, formado na Vila Nova Cachoeirinha, se apresenta neste domingo em Cidade Tiradentes

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MÚSICA
  • RADIOLA URBANA 72

    Projeto de 5 shows e 9 programas de web-rádio baseados nos repertórios de importantes discos  lançados em 1972

    Com curadoria de Ramiro Zwetsch, editor-chefe do programa Metrópolis da TV Cultura e criador do site Radiola Urbana, o projeto Radiola Urbana 72 reflete a diversidade criativa de 20 discos lançados 40 anos atrás através de cinco shows e nove programas de web rádio.

    Todos os anos da década de 70 são reconhecidos como inspirados para a história da música, mas os doze meses de 1972 foram especialmente interessantes para uma infinidade de gêneros brasileiros e estrangeiros. No Brasil, o período expandiu a sonoridade verde e amarela e viu o êxito do samba-soul de Jorge Ben, do soul de Tim Maia, o lançamento dos inspirados discos do exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil, além de duas obras-primas da MPB: “Acabou Chorare”, dos Novos Baianos, e “Clube da Esquina” (de Milton Nascimento, Lô Borges e companhia) – discos tão antagônicos como congruentes na mistura de elementos regionais com a influência trazida pela cultura hippie. Mundo afora, outros gêneros ou se consolidavam ou viviam uma fase de transformação definitiva. O soul norte-americano amadureceu em 1972,  dividindo as águas da era de singles despejados pelas gravadoras Motown e Stax para um momento de criação de álbuns conceituais e experimentais de artistas como Curtis Mayfield, Stevie Wonder e Al Green. Na Jamaica, o reggae em ascensão nos oferecia seu primeiro clássico internacional: a trilha-sonora “The Harder They Come”, com músicas interpretadas por Jimmy Cliff, The Maytals, Desmond Dekker e outros. Na Etiópia, o maestro Mulatu Astatke lançava a obra-prima que traduzia o estilo que ele batizou de ethio-jazz: “Mulatu of Ethiopia”. E, finalmente, o rock virava a página do desaparecimento dos Beatles e da morte de ídolos por overdose para evoluir em sub-gêneros como o folk, o glitter, o hard rock e o progressivo.

    As apresentações reúnem artistas da nova geração, que vão refazer o repertório de um determinado disco de 1972: Bruno Morais  interpretará “Sonhos e Memórias”, de Erasmo Carlos; Romulo Fróes interpretará “Transa”, de Caetano Veloso; Rockers Control e Curumin interpretarão a trilha sonora “The Harder They Come” (Jimmy Cliff, The Maytals e outros); Assembleia Rítmica de Pinheiros interpretará “Mulatu of Ethiopia”, do Mulatu Astatke; e Rodrigo Campos interpretará “Superfly”, de Curtis Mayfield. Estes cinco álbuns apresentam uma diversidade de gêneros (MPB, soul, reggae e ethio-jazz) que reflete o conteúdo abordado no site que dá nome ao projeto, Radiola Urbana. Os podcasts serão publicados tanto nas páginas do CCJ e da RU.

     

     

    SHOWS:

    Centro Cultural da Juventude – Anfiteatro. Grátis. 300 lugares. Distribuição de ingressos 1 hora antes do espetáculo, na recepção do CCJ.

    - 12 de maio: Bruno Morais interpreta “Sonhos e Memórias”, de Erasmo Carlos

    O cantor e compositor londrinense Bruno Morais, que tem dois álbuns lançados, se juntou à banda Bixiga 70 e gravou em 2010 uma versão poderosa de “O Sorriso Dela” – uma das doze faixas de “Sonhos e Memórias”. Lançado em compacto de vinil, a faixa foi elogiada pelo próprio Erasmo Carlos e é uma ótima pista de para qual caminho Bruno Morais pode levar esse cultuado disco do Tremendão.

    - 9 de Junho: Romulo Fróes interpreta “Transa”, de Caetano Veloso

    Com quatro discos lançados, Romulo Fróes é declaradamente influenciado por “Transa”. Inicialmente associado ao samba, o cantor e compositor enveredou para o rock a partir do terceiro disco, o duplo “No Chão Sem o Chão”.  Nesse caminho, ele buscou nas referências brasileiras o atalho para uma linguagem própria dentro do formato guitarra-baixo-e-bateria e o clássico de Caetano Veloso é uma delas.

    - 14 de Julho: Rockers Control e Curumin interpretam “The Harder  They Come”, Jimmy Cliff e outros

    A principal banda de reggae de São Paulo se junta ao compositor, cantor e multi-instrumentista Curumin para visitar o repertório da trilha sonora de “The Harder They Come” – que pode ser considerado o primeiro clássico internacional do reggae.  Acostumada a refazer clássicos da música jamaicana em seus shows, a Rockers Control reúne os atributos para refazer o repertório do disco com uma identidade própria.

    - 11 de Agosto: Assembleia Rítmica de Pinheiros interpreta “Mulatu of Ethiopia”, Mulatu Astatke

    Sexteto com vocação para experimentações jazzísticas, a Assembleia Rítmica de Pinheiros encarou o desafio de fazer uma releitura de “Mulatu of Ethiopia” – o disco definitivo para o gênero “ethio-jazz”, que o músico Mulatu Astatke inventou ao misturar a escala pentatônica ocidental com elementos da música etíope.  Com o virtuoso baterista Maurício Takara na formação, a banda vai reprocessar os temas do disco dentro de uma estética aberta aos improvisos.

    - 13 de Outubro: Rodrigo Campos interpreta “Superfly”, de Curtis Mayfield

    Em seu segundo disco, “Bahia Fantástica” (lançado em 2012), Rodrigo Campos aponta “Superfly” como uma das principais referências. Vindo de um trabalho focado no samba (“São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe”, de 2009), ele buscou no soul um norte para expandir sua composição e embalar suas novas crônicas – antes baseadas em personagens reais, agora totalmente ficcionais.

     

    PODCASTS:

    Acesse aqui: http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br/category/lab-c/audio-lab-c/

    - Abril: “MPB, os clássicos” – programa sobre os discos “Clube da Esquina” (Milton Nascimento e Lô Borges) e “Acabou Chorare” (Novos Baianos)

    Unanimidades entre crítica e público, “Acabou Chorare” e “Clube da Esquina” são obras antagônicas que ajudam a traduzir um período. Ambos exalam um aroma dos sonhos que marcavam os anos 70, mas com estéticas bem distintas. Se os Novos Baianos reverberavam fusões de ritmos nordestinos e o canto de João Gilberto com guitarras influenciadas por Jimi Hendrix, Milton Nascimento e Lô Borges esmeravam arranjos com ecos de Beatles e Beach Boys e letras que desvendavam um potencial lírico ainda desconhecido da turma de Minas Gerais.

    >> Clique aqui para ouvir <<

    - Maio: “MPB, ecos do soul” – programa sobre os discos “Ben” (Jorge Ben), “Tim Maia” (Tim Maia) e “Sonhos e Memórias” (Erasmo Carlos)

    Em 1972, os três compositores que se reuniam para tocar violão com Roberto Carlos na esquina das ruas Matoso e Hadock Lobo, no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro) deram uma guinada nas suas carreiras. Jorge Ben lançou o disco que trouxe algumas de suas canções eternas (como “Fio Maravilha” e “Taj Mahal”), Tim Maia mergulhava numa fossa com baladas de ressentimento e rancor (“Sofre”, “O Que Me Importa) e Erasmo Carlos se descolava totalmente do rock ingênuo da Jovem Guarda com um repertório de malícia e suingue.

    >> Clique aqui para ouvir <<

    - Junho: “MPB pós-tropicália” – programa sobre os discos “Expresso 2222” (Gilberto Gil), “Transa” (Caetano Veloso) e “Jards Macalé” (Jards Macalé)

    Após o estouro da Tropicália, veio o período de exílio em Londres dos baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Toda a angústia dos anos vividos distante do Brasil somada ao contato mais intenso com o momento fervilhante que vivia a música na capital inglesa (desde o impacto do rock ao iminente crescimento do reggae trazido pela comunidade jamaicana na cidade) potencializaram a criação dos dois músicos, que receberam a visita do carioca Jards Macalé no período.  Os três lançaram trabalhos inspirados em 1972, cada um com sua tradução particular da vivência durante o exílio.

    >>Clique aqui para ouvir<<

    - Julho: “O reggae em 1972” – programa sobre os disco “They Harder They Come” (Jimmy Cliff, Desmond Dekker, The Maytals e outros)

    O trânsito entre Jamaica e Inglaterra sempre foi intenso devido à relação metrópole-colônia entre os dois países. Ainda assim, a revolução do reggae da ilha caribenha levou um tempo até ser sentida na ilha da rainha. O filme “The Harder They Come” não só mostrou como era a vida no gueto em Kingston, mas trouxe de vez a música dos imigrantes caribenhos para as ruas de Londres. A trilha sonora trazia grandes nomes do reggae como Desmond Dekker, The Maytals e, principalmente, uma jovem estrela em ascensão: Jimmy Cliff – que também era o protagonista do filme). No ano seguinte, Bob Marley e os Wailers iriam estourar em Londres e o reggae se tornaria definitivamente um fenômeno internacional.

    - Agosto: “O ethio-jazz e o afrobeat em 1972” – programa sobre os discos “Mulatu of Ethiopia” (Mulatu Astatke) e “Shakara” (Fela Kuti)

    A África viveu em 1972 um período definitivo para os dois gêneros do continente que mais são cultuados hoje em dia pelo público ocidental: o ethio-jazz de Mulatu Astatke e o afrobeat de Fela Kuti. O maestro etíope lançou naquele ano o LP “Mulatu of Ethiopia”, em que ele experimentava a fusão entre a escala pentatônica ocidental com elementos da música tradicional de seu país. O resultado é um som hipnótico e imagético, uma linguagem única na história do jazz. Já o músico nigeriano lançava um dos discos mais importantes entre os 77 que lançou ao longo da carreira: “Shakara” é considerado um de seus clássicos e fundamental para a difusão do afrobeat – gênero dançante, com forte acento rítmico e uma variação africana bastante original para o funk norte-americano.

    - Setembro: “O rock em 1972” – programa sobre os discos “Exile on Main Street” (Rolling Stones) e “Harvest” (Neil Young)

    O rock vivia um impasse em 1972: os Beatles não existiam mais e o consumo excessivo de drogas já havia levado alguns ídolos à morte prematura. Os Rolling Stones se viram às voltas com uma improvável crise financeira por conta de um rombo provocado por displicência e falcatrua de um empresário e se exilaram em Paris para criar um dos melhores discos duplos da história: “Exile on Main Street”. O canadense Neil Young, por sua vez, lançava seu quarto disco (“Harvest”) e se consolidava como um dos compositores mais maduros do rock – crédito que ele detém até hoje.

    - Outubro: “O soul em 1972” – programa sobre os discos “Superfly” (Curtis Mayfield), “Talking Book” e “Music of My Mind” (Stevie Wonder)

    Após dois lançamentos de 1971, “What’s going on”, de Marvin Gaye, e a trilha sonora de “Shaft”, de Isaac Hayes, a música soul amadureceu de vez. Deixou definitivamente de ser um gênero de singles e passou a gerar álbuns de grandes resultados artísticos. Curtis Mayfield lançou seu trabalho mais cultado: a trilha sonora de “Superfly”, mais uma produção de Blaxpoitation (gênero cinematográfico que colocava negros como atores principais em histórias voltadas para este mesmo público). Já Stevie Wonder, inspirado por Marvin Gaye, se afirmava como um artista completo lançando dois discos em que experimentava as possibilidades do sintetizador em suas composições: “Music of my mind” e “Talking book”.

    - Novembro: “O soul em 1972, parte 2” – programa sobre os discos “Still Bill” (Bill Withers) e “Let’s Stay Together” (Al Green)

    Um ano após estrear com produção do tecladista (e lenda da gravadora Stax) Booker T., Bill Withers montou sua melhor banda, aproveitando o final da 103rd Street Band, que acompanhava Charles Wright. “Still Bill” traz um compositor maduro que incorpora o violão de maneira bastante original numa afinada sonoridade soul e funk conduzida pela banda de apoio. Já Al Green se apresenta definitivamente como a voz masculina a ser ouvida na soul music. O jeito original de cantar, com um falsete inimitável, além da produção de Willie Mitchell, coloca o soul da cidade de Memphis em outro patamar.

    - Dezembro: “O jazz em 1972” – programa sobre os discos “On The Corner” (Miles Davis) e “Root Down” (Jimmy Smith)

    A psicodelia, a ascensão do funk e a luta dos direitos civis dos anos 70 ecoaram também na linguagem do jazz. 1972 foi o ano em que o gênio Miles Davis lançou “On The Corner” – que expressava tanto na capa como no som uma escancarada influência do groove lisérgico da banda Sly and Family Stone, um dos principais nomes da música negra do período e o que mais dialogou com a geração hippie, tendo se apresentado inclusive em Woodstock. Já o organista Jimmy Smith, que já vinha incorporando elementos do soul e do funk em trabalhos anteriores, lançou o ao vivo “Root Down” – que reverberava a música negra dançante do período e seria sampleado cerca 20 anos depois pelos Beastie Boys, em faixa homônima.


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  • Comentários

    1. [ Centro Cultural da Juventude ] » LAB C :: Radiola Urbana 72: MPB – os clássicos disse:
      abril 12, 2012 às 3:51 pm

      [...] RADIOLA URBANA 72 [...]

    2. [ Centro Cultural da Juventude ] » BRUNO MORAIS INTERPRETA “SONHOS E MEMÓRIAS”, DE ERASMO CARLOS disse:
      abril 30, 2012 às 12:14 pm

      [...] O show integra a programação do projeto Radiola Urbana 72. [...]

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